Tuesday, August 21, 2007

"É uma linguagem infantil. Conversamos assim com uma linguagem de crinças e no entanto dizemos coisas terríveis. O que há de terrivel no que dizemos, nao se vê no que dizemos, está onde? As palavras que dizemos dizem-no e explicam-no. Porque nao há outra forma de o dizer. Jogamos à cabra cega, apanhamos uma ideia e depois nao era essa. De vez enquando uma onde sobe, erguemo-nos na crista, gritamos QUE? COMO? É um clamor de loucos. nao quer dizer nada. mas é o único verdadeiro, o resto é o esfervilhar da espuma.É quando falamos, discutimos. Será tudo assim na vida? Tudo o que é fundamental? um combate surdo.
Multiplicamo-nos de razões para um lado e para outro, mas o cambate nao se decide ai. A certa altura damos conta de que tudo está resolvido. Entao temos todas as razões e ficamos muitos contentes como se realmente as tivessemos."

Sunday, August 12, 2007

A vida é tão promíscua. Compromete-nos com coisas para as quais nem sabíamos que nos podíamos comprometer. E nunca sabemos onde é que isso nos leva, onde é que nos levam as palavras, e acima de tudo, não sabemos para onde as levam os outros…e a tentativa morreu de tanto tentar…
A nossa ansiedade vem da necessidade induzida de nos querermos sentir parte da vida de alguém, querer vasculhar todos os pormenores e pertencer a essa vida mais do que à nossa…
Mas a lógica não deixa de ser corrosiva; mesmo sabendo que o fazemos custa a crer! Porque no fundo o que nos atormenta é mesmo a vida sem pertencer a algo de real e constante. A sensação de parecer escapar à realidade que custa trespassar. Que custa tanto levar de forma submissa e leal que se possa empurra-la ao fundo de nós mesmos e dos outros.
A única coisa que não muda são as lágrimas e a mesma sensação atroz de incapacidade de descrever o que quer que seja, quando no fundo só queríamos palavras para o fazer…”Sofremos sem elas, e sofremos tanto ou mais com elas”

Friday, July 27, 2007

Não há nada mais frustrante que ver o nosso destino diante dos olhos e senti-lo desaparecer, dissipar-se em pequenas moléculas e não conseguir fazer nada para o impedir. Estar presa a um orgulho e a uma arrogância que não é sua, mas que se apodera momentaneamente do corpo e da mente com ares de autoridade sobre nós! Parece que nos esmaga o coração com a brutalidade que nos quer impor! É por isso que não consigo ser feliz, porque tenho o coração esmagado...
E como se isso não bastasse ainda és perseguida pelas palavras que teimam em invadir a tua vida como se a dizer para não desistires…
O que fazer com um coração esmagado e palavras que perseguem?!

Tuesday, July 24, 2007

A vida sequestra-nos constantemente e nem sequer pede resgate....

Friday, July 20, 2007

Eugénio de Andrade

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Hoje roubei todas as palavras do mundo....E cheguei ao pé de ti, sem nada para dizer!

O Sal da língua - Eugénio de Andrade

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar.
Para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Before Night Falls



Sem querer acabei por encontrar um grande filme...:)
Johnny Deep no seu melhor....ou não! lol

Sunday, July 15, 2007



Fechas-me as palavras, Fechas-me a tua vida...
Mas eu ainda continuo aqui!!!!

Eugénio de Andrade

Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Monday, July 02, 2007

E tu estavas determinado a afastar-me! Tu atiraste com tudo fora. Seu louco! Desperdiçaste a única coisa verdadeira na tua vida! E na minha! Mas sabes que mais? Queres mesmo saber a verdade? A minha verdade? Mudei-me antes de ti! A força que me prendia a ti, foi a mesma força que anulou tudo o que existia, ou podia ter existido! És louco, e eu também, por te ver ir embora, por te deixar ir embora sem respostas às minhas perguntas…nunca resultou antes…porque haveria de resultar agora?!
As perguntas só serviam para eu me queixar ainda mais de ti, e eu não queria queixar-me mais!
As perguntas já não me aliviavam, cansei-me de as fazer antes de chegar a ti! As perguntas já não me serviam! E não te iriam servir a ti. Eu sabia-o mais do que admitia!
As perguntas já não eram a minha fuga para te dizer que estás errado!
Ao menos serviste para me dar uma lição, para me pôr no lugar!
E essa era a ultima coisa que faltava em mim!

Saturday, June 30, 2007


A vida é a contagem decrescente dos sonhos e hoje acabo de perder mais um.
Porque há sonhos que se perdem nas brumas da vida. Porque há sonhos que são apenas imaginação mas que nos atingem com a força da realidade. Porque há esperanças em vão, também há sonhos com vontade mas sem poder...impávidos perante aquilo que os rodeia....Estão fechados nunca caixinha. E eu via-me sair do meu corpo mais vezes do que queria. Eu via-me sonhar mais do que podia suportar…porque a lembrança tinha um impacto tão violento sobre mim que eu não podia conceber que fosse menos real menos verdadeiro e menos sentido que a própria vida!
E as palavras bloqueavam-se dentro de mim…antes de serem sentidas já eu as tentava pronunciar, antes de saber a tua resposta já eu tinha uma resposta por ti! Para me proteger das tuas palavras… mantinha em mim uma capa invisível que não me deixava nunca quebrar perante ti! E eu estava ali firme, naquilo que sentia e dizia-to sem o receio de ser rejeitada por ti…já não tinha mais ambição…só verdade e consequência!
...E eu não sei se é de felicidade ou contentamento o teu sorriso. Se são os dois num só, ou se fazes isso só para me provocar! Só para me testar, só para ver se caio na armadilha de me revelar! Só para ver até onde vão os meus limites!
Continuo sem saber desvendar, sem saber arrancar-te as palavras certas, ou talvez aquelas que queria ouvir! Mas haverá diferença?
Talvez elas não tenham de ser ditas por ti, provavelmente elas ficam melhor por dizer. Aquilo que não ter resolução, resolvido está! Mas porque é que os meus pensamentos não querem tomar o rumo das palavras?!
Sabes dizer me onde está o limite das coisas? Como se sabe que chegou a altura certa para avançar ou recuar, para lutar ou desistir! Como se sabe se devemos lutar por algo se não? E quando é altura de desistir porque já não vale mais a pena? Sabes dizer-me? Eu não consigo encontrar consenso dentro de mim....
E o nevoeiro que paira sobre mim não se quer levantar, não se quer dissipar…não me larga, está a minha volta e parece já ser parte de mim! Anda quando eu ando, pára quando eu paro, mas segue-me sempre! Cega me o entendimento! E eu só quero algumas respostas que acho justas, que acho necessárias…que esperaria definitivas…conclusivas! Mas elas não aparecem de modo nenhum, de tentativa nenhuma!
Arrancas-me toda a alma, e mesmo assim eu não morro…o meu corpo teima eu não me ceder esse alivio! E eu já me vi assim antes…só não sei porque é que a vida teima em manter os mesmos padrões comigo! Porque é que ela insiste sempre em levar-me por um caminho que já sei de cor e salteado, que já não me surpreende mas que me consegue sempre arrancar mais um bocadinho que eu já nem sequer sabia que tinha!

Friday, June 29, 2007

Monday, June 25, 2007


E eu esperava de ti o que nunca poderia alcançar
Eu esperava de ti uma confissão, uma palavra, uma só palavra que me fizesse desabrochar do meu imenso adormecimento perante quem sou, perante a vida. É como se no momento anterior te sentisse aqui, junto de mim, mais perto que nunca, mais quente que nunca, mais ligados que nunca e depois já não estas….Já foste embora, já partiste antes que eu pudesse reter o teu cheiro, antes que pudesse levar comigo um bocadinho de ti, da tua alma…
E quando dei por isso já nada de ti restava….Só a recordação como se fosse uma suave e doce ilusão de nos dois perpetuada na eterna utopia da realidade. Porque a realidade me mentia, me fazia ver coisas que não existam, que não estavam lá.
Foi ai que eu vi, como nunca antes tinha visto a vida… Finalmente percebi que vivi a vida toda atrás de coisas que não eram verdade, atrás de sonhos, devaneios, de uma ligeira sensação de felicidade e liberdade que se amontoavam em mim só para ver quem era a primeira a chegar e com o mesmo impacto que chegava, da mesma maneira brusca e repentina, ia embora…quase que fugia como se estivesse viva e fizesse troça de mim, como se soubesse o que eu queria e não me deixasse pega-lo…uma única vez!
E cada vez fui ficando mais vazia, mais seca de sentimentos, sem vontade de me aproximar de ti, sem saber como o fazer.
E tu fugias da minha incerteza, da minha impulsividade, da minha insegurança…sem que eu me apercebesse…
Sempre achei que eras tu que precisavas de mim, quando afinal era eu que visualizava a perfeição onde ela menos existia….em mim e em ti, em nós os dois juntos!
E eu permanecia assim….sem saber o que ao certo me levava a ti…sem saber que elo de ligação tinha contigo, mas com a necessidade de te ter, mais do que tudo, de te querer e de querer que me quisesses.
E enquanto eu definhava tu vivias….tu conversavas, tu divertias te, tu vivias com uma intensidade louca de prazer, e eu ficava à espera de ti…a espera de um milagre que te fizesse ver que mais tarde ou mais cedo essa vida acabaria por não te servir, e tu virias ter comigo…
Enquanto eu te deixava viver livre e sem a mínima percepção da minha existência, enquanto eu me escondia, para que não soubesses de mim, numa tentativa frustrada para que quisesses saber de mim…tu avançavas…tu não querias saber…
E eu vivia num remoinho de nós… numa ideia preconcebida, num filme que tracei que dirigi e que montei, todo só para poder descrever aquilo que te queria dizer. Ao mesmo tempo respondia por ti, respondia aquilo que queria que me dissesses…e isso apesar de parecer esquizofrenia era o que me mantinha lúcida…mas agora….agora já não resta nada. Libertei-me de tudo isto para viver...a espera terminou aqui!

Saturday, June 23, 2007


Quero gastar o tempo de tanto falar contigo
Quero bloquear o tempo de tanto descobrir contigo
Quero chatear o tempo até a exaustão de estar contigo
Quero parar o tempo de tanto querer ficar assim

Thursday, June 21, 2007

"It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I realise there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video's a poor excuse, I know. But it helps me remember... and I need to remember... Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to give in."

Sunday, June 17, 2007

- Sabes qual é o problema do amor? É a relatividade de sentimentos e de sensações, que nunca levamos a sério! Damos sempre algo por adquirido em comum, quando os sentimentos e sensações são só e apenas nossos e nao dos outros! Nós só vemos as coisas pelos nossos olhos, esquecemos que os outros também têm as suas perspectivas, os seus ângulos de visão! E isso muda tudo! Muda o rumo dos acontecimentos! Muda as palavras, muda os sentimentos, muda as razoes e o próprio olhar!!!
É dai que nasce a ilusão!!! Pensamos que determinada palavra tem determinado significado, mas depois não tem! Pensamos melhor e chegamos á conclusão que provavelmente não tinha significado nenhum!
As coisas mudam tão rapidamente! As pessoas mudam tão rapidamente!
Somos todos como estrelas cintilantes, que num momento brilhamos com uma intensidade tremenda, mas no outro, deixamos que essa luz desapareça!
Deixamos nos caminhar para um beco sem saída! Mas nunca conciliamos a hipótese de voltar para trás e recomeçar tudo de novo!

Deito-me neste estado deplorável em corpo e mente, na esperança de que amanhã me levante sacudida de tudo isto! Livre de todo este ardor, todo este mal estar, toda esta podridão espiritual em que me encontro! Na esperança que o mundo amanhã se revele mais limpo, mais fácil de ver, mais fácil de enfrentar e de viver!

Saturday, June 09, 2007

Odeio que olhes assim
Odeio que me largues primeiro
Odeio que me ignores
Odeio que não reajas
Odeio que resistas
Odeio a tua insegurança. Ou será a minha?
Odeio não saber
Odeio que te afastes
Odeio que nao me respondas
Odeio que não me digas o que pensas
Odeio pensar que pensas o pior
Odeio pensar que estou certa
Amo te